terça-feira, 6 de setembro de 2011

Colorimetria - a ciência da coloração sem risco


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Brincar com as cores é mesmo uma tarefa para especialistas, mas antes de usar sua criatividade na elaboração de diferentes visuais, o profissional de salão deve aprender não só os segredos da harmonia das cores, como tudo sobre os efeitos da luz no processo da tintura dos fios.

Uma coloração é sempre resultante da mistura de, no mínimo, duas nuances: a original dos cabelos e uma nova tonalidade que será aplicada nos fios. Portanto, para quem deseja aventurar-se com os pincéis e dar asas à imaginação, transformando looks de uma hora para a outra, entender os princípios da colorimetria é mesmo fundamental.

Trata-se de uma técnica capaz de explicar a cor, seus reflexos e, mais precisamente, os efeitos e leis que regem sua harmonia, sem esquecermos da ação da luz sobre o resultado final da tintura nos fios. Trocando em miúdos: esta ciência possibilita que os cabeleireiros dominem as misturas das cores com precisão para reduzir as mais variadas nuances, sem o risco de cometer estragos nas madeixas dos clientes. O primeiro passo é ter em mente que a cor natural do cabelo funciona como um ponto de partida para a obtenção de um novo tom desejado.

“É através dela que o colorista irá identificar que nuances deverá combinar ao longo do trabalho e que técnicas de aplicação das tinturas serão mais indicadas, já que uma tonalidade sempre influencia a outra. Por isso, quando o profissional não conhece as leis da colorimetria, acaba não alcançando o resultado esperado”. Não é à toa que, antes de indicar uma coloração, o profissional deve conversar com a cliente para entender seus desejos e expectativas.

“Além de observar a personalidade, através de detalhes como a maneira de falar e se vestir, é preciso analisar a cor e o estado dos cabelos, assim como os tons de pele e dos olhos. Só assim será possível sugerir uma coloração em equilíbrio com o estilo e as características da pessoa, evitando frustrações”.
 

LUMINOSIDADE TOTAL

“O julgamento da cor depende da definição que podemos dar à luz e aos efeitos de sua radiação”. Afinal, tanto a luz natural quanto a luz artificial interferem diretamente nas cores dos cabelos.

“Quando os fios se mantêm sadios após a aplicação do tratamento químico, com as escamas fechadas, sua camada externa funciona como um espelho, refletindo a luz. Mas, se estiverem danificados e com as escamas abertas e eriçadas, ao invés de refletir, a luz irá destacar as irregularidades da cor. Resultado: fios opacos e sem vida”.

Os especialistas em colorimetria são unânimes em afirmar que a noção de cor é subjetiva. Parece complicado de se entender, mas, na realidade, a cor em si não existe. Ela é apenas uma impressão da luz (conjunto de radiações eletromagnéticas imitadas pelo sol), que chega a nossa retina ocular. Portanto, não podem ser analisadas separadamente dos seres vivos. Traduzindo: são nossos olhos que recebem a luz e julgam a cor. Aliás, esta também é variável, de acordo com a possibilidade de cada um.  

“Duas pessoas podem até receber o mesmo feixe luminoso, mas isso não quer dizer que estão lhe atribuindo o mesmo valor. Há, ainda, o caso daquelas que não são sensíveis a algumas cores, como as daltônicas”.
Como duas pessoas nem sempre percebem a cor do mesmo jeito, os cientistas criaram uma escala padrão para determinar as alturas dos tons, que determinam a intensidade da cor natural (ou artificial) dos fios de cabelo. Estes índices, expressados por números de 1 a 10, partem do mais escuro (preto) até o mais claro (louro claríssimo).

Guardar na memória a classificação ótica e o valor exato de cada uma dessas cores é muito importante, mas só na prática do trabalho realizado no dia a dia dos salões é possível adquirir essa segurança – base de todo bom processo de coloração.

As radiações eletromagnéticas emitidas pela luz situam-se dentro de um tipo de espectro, semelhante a um arco-íris em forma de leque, onde podemos encontrar diversas nuances – cada uma em seu lugar e com seu próprio comprimento de onda.

Hoje, aparelhos de alta precisão, como o Espectro Photo Metro, por exemplo, já permitem identificar cerca de 200 cores no espectro solar.

OS QUATRO GRUPOS DE CORES

1- Primárias: chamada de fundamentais ou dominantes, são as cores que não se decompõem e que, segundo as leis da colorimetria, permitem definir as secundárias. São elas: Azul, Vermelho e Amarelo.
2- Secundárias ou Complementares: originam-se da mistura de duas primárias. São elas: Verde (Amarelo com Azul), Roxo (Azul com Vermelho) e Laranja (Amarelo com Vermelho).
3- Cores Quentes: são as cores que os olhos percebem os reflexos alaranjados, dourados, acobreados, vermelhos ou acajus. Elas transmitem sensações de calor, lembrando o fogo e o sol.
4- Cores Frias: são as cores acinzentadas, irisadas e esverdeadas, que passam sensações psíquicas de frescor (como a água), e de frio (como o gelo).
 

AS LEIS DA COLORIMETRIA

1- Todo o complemento de uma cor fundamental é igual à mistura de duas outras. Assim: Verde complementar do Vermelho = Azul + Amarelo. Roxo complementar do Amarelo = Verde + Azul. Laranja complementar do Azul = Vermelho + Amarelo.
2 - As cores complementares e as fundamentais correspondentes opõem-se e se neutralizam entre si. Assim, o verde opõe-se ao vermelho e o neutraliza; o roxo opõe-se ao amarelo e o neutraliza; o laranja opõe-se ao azul e o neutraliza.

Sim, um cabelo colorido é sempre bonito. Aliás, a cor é capaz até de alegrar e rejuvenescer um rosto.
Não é à toa que as mulheres estão sempre em busca de novas tintas e técnicas para mudar a cor das madeixas.

Por isso, os profissionais também devem aprimorar seus conhecimentos. Afinal, com a qualidade de informação a nossa disposição, não há mais desculpa para os clientes saírem do salão com os cabelos manchados ou estragados.
 

POR DENTRO DA COR

De um modo geral, uma coloração é composta por um suporte (creme ou emulsão), agentes cosméticos, agente de textura (que dão a consistência e proporcionam conforto na utilização do produto), estabilizantes anti-oxidante (para combater o processo de oxidação da cor), um agente alcalino (amônia, na maioria da vezes), além dos chamados precursores de corantes moleculares incolores, que se transformam em corantes no interior do fio de cabelo, quando o produto é misturado ao oxidante e se mistura com os pigmentos naturais, resultando na nova cor.

Ou seja, é a oxidação dos precursores que permite a revelação dos corantes e, exatamente por isso, essas substâncias são denominadas corantes de oxidação.
 

PODER DE COBERTURA

É o grau de coloração dos cabelos brancos após a aplicação da tinta. Os pigmentos naturais são aqueles que compõem a cor natural dos cabelos. Já os pigmentos de reflexos são os artificiais que se revelam nos fios através do processo de oxidação dos precursores contidos nas fórmulas de coloração.
 

AS NUANCES DE REFLEXO

Possuem um poder menor de cobertura dos fios brancos, porque têm menos fundo. “Em caso de grande quantidade de brancos, aconselha-se misturar uma cor fundamental ou de base com a nuance de reflexo”.

Aprenda então quais são as nuances de reflexo:

Dourado = Amarelo
Dourado Quente = Amarelo + Ponta de Vermelho
Acaju = Vermelho + Amarelo
Cobre = Vermelho + Amarelo
Violine = Vermelho + Azul
Acinzentado = Azul
Cinza nacarado = Azul + Ponta de Vermelho
Cinza = Azul
Cinza Prateado = Azul + Ponta de Vermelho
 

O QUE O COLORISTA DEVE TER EM MENTE

Azul, vermelho e amarelo são cores fundamentais. Misturando-as, conseguimos obter as cores complementares verde, roxo e laranja.

É com todas elas que se faz a gama de reflexos das técnicas de coloração. O castanho, em si, não existe. Ele resulta da mistura de três cores fundamentais:

Azul + Amarelo = Verde
Verde + Vermelho = Marrom

Quando o castanho não respeita o tempo de pausa suficiente durante a aplicação da tintura (evitando a revelação completa do colorante), dias depois, deixa reflexos esverdeados nos fios. Mais algumas lavagens e os cabelos podem ainda ganhar reflexos avermelhados.

Tinturas pretas ou castanhas também podem deixar a raiz dos fios avermelhada algumas semanas após a aplicação. Isso também pode acontecer quando o tempo de pausa não é respeitado pelo cabeleireiro, e não só pela ação do mar e do sol.
Após a descoloração, reflexos amarelados são neutralizados por colorantes violetas. Já os fundos alaranjados são neutralizados pelo cinza azulado. Os Tons cinzas, combinados com dourados, resultam em cores esverdeadas.

Uma coloração, sozinha, não é capaz de clarear outras mais escuras. Por isso, o bom colorista também deve dominar técnicas de pré-pigmentação para abrir as cutículas dos fios, como a mordassagem e a decapagem.
Na hora de aplicar a coloração, o cabelo deve ser dividido a partir da parte posterior da cabeça (nuca), exceto quando há muitos cabelos brancos. Aí, a aplicação deve começar pelas áreas grisalhas.


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